O começo

Na verdade, devo dedicar esse começo a Natacha Orestes – a mãe, inquieta, libertina, feminista – que certo dia me ensinou que, por vezes, é necessário que a escritora exponha a própria voz. Se me considero escritora? Ora, escrevo e isso, hoje, me basta. Escrevo desde que comecei a ter medo: faz muito tempo, naquela máquina de escrever na casa da minha avó. Escrevo desde que comecei a amar. Desde que comecei a pulsar. Talvez desde antes de ter aprendido a juntar as letras. Talvez desde sempre.

Torno-me a cada dia psicóloga, poeta, mulher, louca. Torno-me a cada dia alegre e depressiva e tenho um nó na garganta. Escrevo também no Baile de Máscaras, onde danço uma infinidade de vozes. Aqui, escolho dançar a minha. Que me é mais estranha e desconhecida do que todas as outras.

Tornar-se o que se é não é tarefa simples. Sempre se é infinito.

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