A vida

É outono e a vida se abre em primaveras secretas

– brota-me uma flor do tamanho de um lago

nasce-me uma borboleta cintilante

vive-me um fio do sol.

É outono e a vida faz um balanço:

exige meus olhos

– atentos, amantes –

pede um pouco mais de mim

– um rastro, um rastro.

Se peço que espere, ela se põe em ânsias

A vida tem pressa:

faz dor, faz sintoma, faz grito, faz medo.

Gela a espinha, exige um espaço.

A vida tem pressa e não pode esperar

A vida tem voz e não pode calar

A vida tem útero

é oca

é fêmea:

a vida tem fome

e resiste.

A vida, meu bem,

a vida insiste.

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