A sétima parte da noite

A sétima parte da noite nos ensina a introspecção.

O silêncio.

Tornar-se miúdo e tocar o insondável.

Ter a clareza de que falar demais é o desespero de não ter o que dizer.

Desenraizar-se.

Planar.

Guardar no coração o traçado emaranhado da história. Fino e delicado feito a teia de uma aranha-poeta. Uma aranha-delírio. Uma aranha-mistério. Tecendo dúvidas e enredando destinos díspares.

A natureza é vasta e cheia de perigos. Nós, acovardados, escondemo-nos atrás das verdades e suas durezas. Esquecemo-nos das fantasias. E de nossos rastros de fera. Esquecemo-nos dos urros alucinados que percorrem madrugadas. Dos ruídos melodiosos de nossas vísceras. Esquecemo-nos – a cada instante – de tudo o que faz a terra pulsar. A não ser na sétima parte da noite. Que é onde perdemos as certezas. E a desrazão faz a festa.

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