Para você

As cobras peçonhentas rondavam toda a casa. Dançavam no aquário. Roubavam-me um caderno, uma ideia, uma certeza. Sabe-se lá, meu bem, se existem espíritos obsessores ou se somos nossos próprios algozes. Não tenho a ilusão de encontrar a resposta. Tenho mais facilidade em tentar buscar o silêncio e aquela luz delicada que brota dos corações que se sentem felizes quando se encontram. O silêncio, meu querido: um doce milagre. Mas o silêncio de fato – aquele profundo, doce, nossos olhos repousando juntos enquanto nos acariciamos na rede e lembramos que a vida é mais do que nossas miúdas vaidades. Um silêncio pleno de ternuras. Carícias. As mais doces memórias. Nossas mãos.

As cobras peçonhentas, meu querido, são inocentes. O perigo do mundo está em nossos olhos e ouvidos. E no modo como guardamos as palavras cruéis que nos ofertam. Tão difícil entender, amor. Mais fácil tomar um remédio. E esperar a dor passar. Mas ela não passa.

Ela não passa.

Ela não passa.

Apenas se esconde enquanto não aprendemos a brincar com ela.

Eu amo você.

Carla

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