Uma carta de amor e sinceridade

Querida Patrícia Peterli,

Hoje pensei em você. Sonhando acordada. Sonhei sua doçura. E seu amor pelos delírios.

Quero contar dessas verdades que andam espalhando por aí: “dizer o que se pensa, doa a quem doer: eis a maior virtude dos honestos”. Ah, eu digo: de uma honestidade assim jamais precisei. Uma honestidade dessas – que abre feridas sem trazer água limpa para curar; que injeta veneno sem criar o antídoto – pouco faz além de parir discórdias. A sinceridade, querida amiga, pode – e talvez deva – andar de mãos dadas com a delicadeza. É o que você me ensina. É o que não quero esquecer.

Não que seja fácil. Ora, mais fácil é atirarmos pedras. Amolarmos nossas facas para cravar nos corações que nos são entregues. Vivos e pulsantes: quanta maldade.

A arte de dizer por dizer:

Porque a palavra não pode faltar. Porque é preciso que ela saiba que não é tão bela quanto pensa. Porque é preciso que eles entendam as voltas de meu pensamento – e as pontadas venenosas que ele insiste em querer lançar. É preciso que ele saiba que não é tão amado. E que ela tenha a clareza de ser frágil e insegura. De ser feia. De não ter mais tempo. Do fim do mundo.

Sim, é preciso que eu diga. Esse fato que insiste em me apertar a garganta. Esse fato que eu sei e preciso contar.

Por sinceridade.

Em nome da verdade.

Em meu nome: o nome de deus?”

Ah, querida amiga, como me cansa a tal da verdade!

Conheço você, minha flor, e seu coração me é translúcido. Você é bonita e tem a alma aberta. Como se tão ampla quanto a noite de luar. Sinceridade em seus olhos negros. E doçura. Aprendi assim: com você segurando a minha mão. E me ensinando a meiguice de ser sincera. Você mesma estancou as feridas que, com suavidade, me provocou. Você me ensinou que é simples: o primeiro mandamento é o amor. A verdade vem depois. A verdade – que a gente nem conhece tão bem assim, você diz – sempre deve vir depois do amor.

Guardar o que se pensa quando o amor assim exige. Elaborar o pensamento. Dançar com a verdade até que ela mostre sua face mais delicada. Duvidar dela. Sempre.

Nunca duvidar do amor.

Obrigada por me ensinar.

Com amor e sinceridade,

Carla

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