Meu nascimento

O meu nascimento foi ontem, quando a vida cantou aleluias de liberdade e me colocou de pé diante do precipício: era o voo. O meu nascimento também foi há muitos e muitos anos, quando as mães se reuniram em torno de uma fogueira e cantaram hinos de ardência e desejo. O nascimento é feito de infinitas linhas, em uma rede que se estende até a eternidade. O meu nascimento é também 20 anos adiante, ou 200 ou 2000. E as veias e as vênulas e os vasos capilares e as varizes e todos os tubos que fazem fluir ou estancar:tudo isso são nossos nascimentos mágicos e cheios de dor. E também são infinitas as nossas mães: feitas de primeiros abraços e últimas lágrimas no canto da sala. Dotadas de uma saudade e de um desejo que tornam a vida infinitamente potente, triste, meditativa, alegre. São infinitas nossas heranças, nossas perdas, nossas angústias. As gentilezas. O meu nascimento é amanhã. E foi antigamente. O meu nascimento será para além da minha morte. Meu sangue será um fio de um enorme rio. Seguirá inconstante. Desaguará oceânico. Fará poeira. Fome. E paz. O meu nascimento será na despedida. E também foi 30 anos atrás. Quando arrisquei pela primeira vez os pulmões. E a vida.

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Luzia

Tinha a sabedoria firme
do corpo que insiste e resiste
Vivia o aperto dos dias
o descuido e o cuidado
a valentia das feras
a galhardia da damas
– mas falava palavrão,
de repente, sem pensar.
Voava à frente do tempo
– feito todas as mulheres.
Rompia os véus e as correntes
e cantava para mim.
Dizia verdades doídas
sabia ferir e curar
Era lágrima, coragem
e gargalhava, às vezes,
quando era proibido –
principalmente na igreja
no momento do amém
É que só ela sabia
que os anjos mais belos do mundo
são os mais tortos também.

Vovó, que nasceu canhota,
aprendeu a ser direita
Mas no fundo, no fundo
– e hoje eu sei muito bem –
voava sempre à esquerda
no mundo das meigas paixões:
inteligente e brilhante
é mais do que fé
– é amor
e dispensa retidões.

Retorno

Querida Fernanda,

De vez em quando escrevemos uma à outra. De vez em quando paramos. Da última vez eu precisei me recolher no infinito. Nem te conto. Fica, aliás, quase impossível contar sem doer. E – oh, deus – dizem que a palavra pode curar. Mas acontece que, para curar, ela precisa passar por terrenos tão pedregosos – precisa doer tanto, mas tanto – que a gente começa a pensar se vale a pena. Se lhe contar que recorri às pílulas, você entenderá.

Mas não, não é esse o ponto. O ponto é: volto a escrever. No risco de não receber resposta. Nem carícia. Volto a escrever porque é isso o que faço e porque é isso o que farei para todo o meu sempre. Volto a escrever porque me lembrei de Tomates Verdes Fritos e fiquei com vontade de ler o livro. Retomar os tempos em que mulheres se contavam memórias e verdades. Ou ainda existem esses tempos? Mas que tempos, oh, que tempos. Sinto-me agora com oitenta anos – exata idade da minha avó materna – e me pergunto embasbacada: que tempos são esses? Mas a minha avó não tem desses sobressaltos. Ela sabe que o tempo e a história mudam o amor, o sexo, os toques e as percepções. Mudam as certezas, os trabalhos, os afazeres e as pontas dos lençóis. Mudam o jeito como o sol se põe e as vozes que cantam o adeus. Ela simplesmente sabe. Sou eu que nunca soube acolher a crueza do mundo. O tanto-faz do destino. O jeito delicado de a vida dizer que, afinal, emiudamos diante da imensidão do tempo e do espaço.

Eu já não sei do sentido porque há muito tempo desaprendi a sentir. Ao contrário, meu corpo sente sozinho e sem me contar: faz tremores e diz que é assim mesmo. Mas eu queria mesmo era uma poesia rabiscada em guardanapo. Para lembrar que ainda existem casas de avós. E que as crianças ainda sabem voar.

Despeço-me com saudades!

 

Carla

Essa força

Essa doce força dos frágeis
sem pudores jorrada
na ordem da vida
atiçando os humores
há muito enterrados
*
Essa força macia
das nossas memórias:
o colchão
o retrato
o abraço
o cuidado
o meu choro-criança
,sua mão,
meu amor
*
Essa força tão bela
antiga
surrada
A potência da história
cravada no corpo
*
Essa tal da saudade
que em mim
se adianta
entoando lembranças
dos laços de nós

Carta a Ana. Ou Luisa. Ou Beatriz

Querida Ana. Ou Luisa. Ou Beatriz.

Querida você.

Querida,

Não é que escrever cure. Não há cura, minha amiga, para o processo lento e deteriorante de humanização. Sim, porque você sabe: humanizar-se é arruinar um pouquinho a cada dia a fera que vive em nós. É inventar a bondade e também a maldade. Fazer-se tão hedonista quando abnegada. Fazer-se cruel. Pecadora. E santa. Fazer-se plena de generosidade e vingança. É doer. Perder-se. Humanizar-se é começar a entender. E ter vontade danada de nunca mais entender novamente. Mas o entendimento está aí. Ferindo na carne. Na alma. Ferindo nos olhos. Nas veias. Na vida.

Não, não há cura. Mas escrever ajuda a desopilar. Ajuda a colocar as ideias no lugar. Porque hoje, ora, uma pequena decepção. E a gente só consegue se decepcionar quando espera. Quando cria oportunidade para a beleza acontecer. Decepção é o risco do desejo. E, sim, há quem acredite que o desejo seja nossa ruína. Mas entenda, Ana. Ou Luisa. Ou Beatriz. Entenda, querida: ainda não sei o que é não desejar. Portanto, quanto mais escondo o desejo, mais ele busca formas de transbordar. De atravessar minha pele e verter potente mundo afora. Já lhe disse que um dia gritei mais do que podia? Mas o que pode, afinal? E o que não pode?

Escrever transborda. Desordena. E depois ordena. Ah, querida, a primeira queda não significa desistência. A gente machuca um pouco. Pensa que não vai passar. Mas minha querida, minha querida, a gente tem uma voz e um sonho. Uma infinidade de vozes e sonhos pra mais de metro. Eu gostaria de voltar a desenhar. Ainda tremo, sabe. Fico com medo de fazer o que gosto. Fico com medo de pegar o lápis e rabiscar a mulher que desejo ser. A mulher que anseia. A mulher que vive. A mulher que sabe parir flores e fantasias. Que talvez não tenha um filho. Mas que terá arte. Cuidado. E amor.

Não é que escrever cure. Mas cuida. Escrever cuida. E eu preciso tanto de cuidado, ah, se preciso.

O amor, querida. E a solidão. No fim das contas, a solidão. A gente sabe que o outro está ali. Mas dele é o corpo dele, e meu é o meu. E eu posso partir carregando as marcas que ele deixou em mim. Ele fica, sim. Mas só na medida em que traz memórias que me aplacam a solidão.

O amor faz um barulhinho fino, querida. Que é pra gente lembrar que a vida existe.

Com amor,

 

Carla

de coisas miúdas e de feras

inseto   Medo de coisas miúdas. Insetos e aranhas. Sem qualquer razão, uma vontade de matar. Vontade, não: necessidade. Medo produz necessidades – ou assim faz com que nomeemos essas forças tristes que nos tomam. Paralisam. Dizem todos os nãos do mundo ao desejo. De viver e deixar viver. As coisas miúdas vivem. Seguem seus rumos rodeando lâmpadas ou se embrenhando no perigo do escuro. Tecendo teias, respirando, fazendo a natureza acontecer sem pretensões.

Coisas miúdas seguem seus rumos. Sem medo. São minúsculas feras deste mundo. E as feras, minha amiga, as feras não temem a vida. Nem a morte. Não temem a deliciosa renovação do tempo. A decomposição, o início e o fim. As feras, aliás, desconhecem o fim. Sabem que hoje. E simplesmente hoje. Quase que como sob um pedido dos deuses, tecem o amanhã sem nem notar. Seus ninhos, suas crias, suas teias, suas fomes.

Os seres miúdos. Os seres miúdos vivem. Como todas as feras do mundo. Sem medo. Esse pavor que me invade. Medo da vida. Tão atroz quanto a própria morte. Não. Mais atroz do que a própria morte. A morte é irmã – dizem alguns. Eu mesma tento dizer isso nas minhas madrugadas insones. Só para não ter tanto pavor do amanhã. A morte é irmã. E necessária. As coisas miúdas nos ensinam isso. Dizem que a borboleta não vive mais que um mês. Assim, depressa. Deixa rastros de néctar e pólen. Faz amor com as flores. Fecunda. E parte para sempre. O tempo, minha amiga, o que é o tempo? E que medo aterrador é esse que me faz achar excessivo ter mais muitos e muitos anos pela frente? Pois o trabalho, o amor, a doença, a decepção, o sufoco. É tudo tempo demais. Sou feita de matéria frágil. Tenho medo de coisas miúdas. Insetos e aranhas. O curto tempo de vida da borboleta. E palavras rudes. Tenho um medo desesperado de palavras rudes. Um desespero aterrador diante do espelho. Tenho medo de mim. E do silêncio que as tantas outras em mim fazem quando amanhece.

As tantas outras em mim são feras. Algumas, miúdas feito baratas. E tão terríveis quanto. Outras têm movimentos felinos. Corações equinos. E a disposição de um passarinho. Há aquelas que morrem no escuro. Outras duram pouco menos que um mês. Distribuem néctar e pólen. Fazem amor com as flores. Deslizam. Tenho feras que são serpentes. Tenho veneno e mel. Sei das asas. E, quando fera, posso voar. E aprecio o sangue. As vísceras. O gozo.

As tantas feras em mim não são boas. Nem más. As tantas feras em mim são minha história-fêmea. Meu desejo-fogo. Minha memória-deusa. As tantas feras em mim existem. Mas o medo, minha amiga, ah, o medo. O medo me faz matar aquele insetinho triste que atravessou meu caminho. Aquele insetinho lindo que tinha pouco mais de um dia adiante. Mas tinha tempo ainda. Covardia a minha: a de roubar a vida sem qualquer razão. Sem fome. Sem ânsia. Sem desejo.

As feras, minha amiga, as feras só matam porque a vida clama.Porque a fome pede. Porque o instinto dos deuses diz que agora é hora. Matar por medo é coisa de gente. E não tem perdão.

Ela vestia azul

Ela vestia azul e lhe caía bem. Fazia tempo que não reparava nisso: o corpo, a alça do vestido, o delicado movimento dos quadris. Olhos pintados fazendo um brilho magnífico. Ela queria mostrar. Ah, queria mostrar. Queria mostra a ele que estava bem. Sempre achou que abrir o coração era o mais belo e honesto caminho a se seguir. Agora, pensava seriamente que, por vezes, fechar a alma é o mais sincero e justo a se fazer. Porque uma alma adoecida, quando exposta, espalha as mais terríveis mentiras do mundo. Uma alma adoecida inventa dor onde não existe e faz um aumento danado nos perigos do mundo. Uma alma adoecida, ah, uma alma adoecida mente na intenção de encontrar um caminho. Mas está perdida na luminosidade excessiva dos dias.

Ela vestia azul e havia tomado o remédio de manhã. Carregava na bolsa uma outra pílula, feita para os momentos de desespero. Era quase certo que ali, fracamente iluminada, não deixaria transparecer aquela dor pungente. Não deixando transparecer, conseguiria conter com mais rapidez. Em segredo, era capaz de encontrar a própria cura num cantinho silencioso do pensamento. Ah, mas como era difícil o silêncio. Como era raro o segredo. Como era árduo encontrar a escuridão necessária para se fazer generosamente invisível. Vestida de azul e apenas mais uma na multidão de corpos alegres e dançantes. Vestida de azul e silenciosa. Vestida de azul e quase se esquecendo. Quase se esquecendo.

Ele a segurava na cintura e fazia cócegas de segredo no ouvido. Ela ria baixinho e depois um pouco mais alto. Tentava se esquecer daqueles que dominavam seu pensamento com o imperativo do cumpra-se. Tentava se esquecer do que ainda não havia conseguido cumprir, dos tremores no corpo, das tristezas da alma. Ele a acariciava mansinho e de repente ela rodopiava. Mais uma cerveja e ela agora queria um cigarro. Queria ferrar com a própria saúde de um jeito que fazia a vida parecer maravilhosa. Queria ferrar com as próprias certezas e pisar na aspereza dos dias. O colapso que teve na semana anterior havia sido quase sério. Quase motivo de preocupação. Ela havia procurado a mãe e narrado a própria morte. Da forma como desejava que fosse. Assim, em silêncio – e com o celular desligado. Ela queria silêncio. Mas agora fazia uma melodia deliciosa de dançar. Ela rodopiava e voltava para os braços dele. Como criança que brinca de jogar o ursinho longe só para depois pedir que a mãe busque de volta. Ela rodopiava e vestia azul.

Ela era mulher e tinha sorte. Ela era mulher trabalhadora e conquistava cada vez mais espaço. Ela tinha sucesso e pagava as contas. Mas, por algum motivo quase inexplicável, a antiguidade batia à sua porta e dizia que tudo poderia ser diferente se. E se. E a antiguidade ensinava sobre as deusas do mundo e sobre a chuva e sobre o tempo para olhar para dentro de si e para os arredores das coisas. E ela rodopiava mais uma vez sonhando com uma casa no campo. Com o fim de tarde. Com o amor e com as flores. Com as mães que acalentam. Com a primeira infância. Com a escuridão.

Ela amava a escuridão. Amava as mãos dele apertando-a suavemente. Ele a amava. Por isso segurava sua cintura e a fazia rodopiar longe. E depois voltar. Ele sabia que ela voltava. Mesmo após os mais terríveis colapsos. Ela vestia azul e dançava.

Errar Errar Errar

Errar. Errar. Errar. Alguém proibiu e eu não me lembro do nome dele. Dizem que era o próprio Deus vestido de nossos fantasmas de infância. Ou a memória da infância vestida de deus. Só sei que alguém proibiu o erro e nós acreditamos. Eu, ao menos, acreditei. Logo eu, que do erro faço os mais surpreendentes sabores. Uma mistura de alecrim e doce de goiaba. Uma farra de pimenta e sorvete de alcaçuz.Uma mistura de ele e eu e de insônias cheias de poesia. Samba e amor até mais tarde e sono pra caramba de manhã. Perder a hora. Decifrar enigmas que ninguém notou: como pode Deus ser homem se a Terra tem todas as formas e dores de mãe?

Faço do erro meu mais delicioso destino, mas acreditei naquela primeira proibição. Desde então, adoeço dos tremores de poeta. Deixo o expediente já pensando na próxima carta que escreverei para os deuses. Pensando na minha mãe e numa terra de fantasmas. Pensando na morte e na alegria. Pensando nas flores do verão. E em como o sol pode curar ou secar, assim como a chuva tem potência de vida e de morte na mesma medida. Tudo guarda a força de um erro. E certos erros podem resultar em vida nova: até mesmo Darwin sabia disso e nem poeta era.

Errar. Errar. Errar. Alguém proibiu, mas a natureza não escutou. Daí que meu corpo cheio de dobras é, surpreendentemente, um chamariz de beleza e prazer. Daí a chuva e o desgaste da pedras. Daí a poesia e a felicidade. Daí o gozo. E a ilusão. Daí a morte. O renascimento. A decomposição, o caos e o adubo. Daí tudo aquilo que nasce do que morreu: o amor, o fungo e as flores de cemitério. Daí a luz, a escuridão e todas as cores perdidas entre uma e outra.

Ainda que…

Ainda que murcha, uma flor
Ainda que seco, um riacho
Ainda que triste, um dia de sol:
as coisas guardam em si
a memória do que foram
a semente do que podem
a espera de um porvir.
As coisas guardam saudade
desejo
e poesia:
o meu quarto guarda a infância
os seus braços guardam os meus
nossas roupas no varal
guardam a nossa rotina
– cheia de ânsias de amor.
Guardo ainda em mim palavras
que um dia hei de dizer:
a voz que me é tão doce
um desejo de existir.
No caderno, um rabisco
Na varanda, folha seca
– e a saudade das flores
que esqueci de regar.
Ainda que apagada
– feito um retrato antigo -,
Ainda que cheia de rasgos
– feito um lençol bem gasto -,
Ainda que quase sem cores
– feito uma memória vaga -,
Guardo em mim a vida
em sua potência de glória
em sua vontade de fúria
na natureza-devir:
que não promete, mas cumpre
– seja o que for,
germinando
(farto de dor, sufocado),
um dia haverá de nascer
como esperança de um novo
destino,
caminho
ou fim.

Quando tudo para de funcionar (Benzodiazepínicos II)

E, de repente, tudo parou de funcionar. O rivotril e os encontros semanais: breve meia-hora de conversa pra afagar sintomas. As flores também pararam de funcionar. As carícias. E o silêncio. De repente, a doença tomou corpo e forma: de repente ela cantou seu desejo pelos ares. De repente, a doença se abriu em flor e despedaçou todas as dores do mundo. Porque adoecer na alma – e no corpo da alma – é denunciar os mais antigos tremores e temores. Adoecer é contar a história do mundo em um só grito ou em desejosas lágrimas. Adoecer é dizer o que por muito tempo foi silenciado. Nem o benzodiazepínico dá conta: há momentos em que é preciso correr liberta e alucinada. Anunciar aos deuses o poder do escape. Dizer que não se cabe mais em si.

Digo, é claro, que não é um processo simples. Faz dor, faz sintoma, faz fúria. Faz medo de perder a luz e as estribeiras. O respeito. A lucidez. Faz medo de perder o amor – próprio e do outro. Faz grito. Adoecer não é solução – oh, jamais. É aquilo que acontece quando falharam todas as propostas de soluções. É aquilo que acontece quando se insiste na desistência da vida – ou quando se é, lentamente, forçado a desistir do voo. É aquilo que acontece quando chega o limite: o ponto-auge da dor. Adoecer é quando se precisa dizer: chega! É quando nunca-mais. É quando nem mesmo a saudade faz sentido. Adoecer é sentir falta de si. E da lua. Tudo para de funcionar. Caminhadas no fim da tarde. Eternas reclamações. Pílulas para silenciar a alma. Nada, nada, nada mais funciona. Só o desejo – aquela semente silenciosa que aguarda a chance de germinar. Miúda, delicada, frágil. Quase morta, mas insistente. Persistente. Fazendo cócegas e feridas lá dentro. Adoecer na alma – e no corpo da alma – é denunciar todas as grandes e pequenas atrocidades que são feitas contra a vida a cada instante. Adoecer na alma, meu amor, não é um caminho para a morte, mas um grito desesperado da vida que ainda insiste em acontecer.